Autora da publicação: Bruna Angelica Sena Rodrigues
A busca por sistemas produtivos mais sustentáveis tem impulsionado o uso de bioinsumos em diversos setores industriais, especialmente na indústria de alimentos. O uso de bioinsumos apresenta vantagens como maior eficiência tecnológica, substituição de aditivos sintéticos e aproveitamento de resíduos agroindustriais, contribuindo para a sustentabilidade e a bioeconomia regional. Para a indústria de alimentos, os bioinsumos podem ser utilizados em diferentes etapas da produção, desde a obtenção da matéria-prima até a conservação do produto final.

Fonte: Redação Mais Agro.
O que são Bioinsumos na Indústria Alimentícia?
Diferente dos aditivos sintéticos tradicionais, os bioinsumos alimentares são produtos decorrentes de processos tecnológicos que utilizam matéria prima de origem vegetal, animal ou microbiana. Podem ser:
Oriundos de processos enzimáticos, como hidrolisados produzidos de diferentes tipos de enzimas e substratos que além de melhorar características tecnológicas dos alimentos, atuam promovendo funcionalidades específicas. Enzimas como amilases, proteases e lipases são amplamente empregadas em produtos de panificação, laticínios, bebidas e processamento de carnes, contribuindo para maior eficiência produtiva e melhoramento da qualidade sensorial. Também podem ser aplicadas em substratos residuais de processamento da indústria para obtenção de compostos bioativos visando sua aplicação.
Microrganismos, como bactérias, leveduras e fungos que transformam alimentos através de processos tecnológicos, como a fermentação, e que geram substâncias oriundas de seu metabolismo que são consideradas benéficas à saúde e classificados como probióticos, podendo exercer efeitos simbióticos com outros alimentos da dieta.
Compostos Bioativos e extratos naturais, obtidos a partir de planejamento experimental e processos verdes, como a aplicação do ultrassom e uso de etanol como solvente, podem exercer atividades antimicrobiana e antioxidante. Esses bioinsumos vêm sendo estudados como substitutos naturais aos conservantes químicos tradicionais, atendendo à demanda crescente dos consumidores por embalagens funcinoais e alimentos mais naturais e livres de aditivos artificiais.
Sustentabilidade e o Futuro
A utilização de bioinsumos também está associada à valorização de resíduos agroindustriais, promovendo o aproveitamento integral de matérias-primas e incentivando a economia circular e a sustentabilidade. Resíduos de frutas, sementes e oleaginosas podem ser transformados em fontes de bioinsumos contendo compostos bioativos, oriundos a partir do uso de enzimas ou substratos para fermentação e hidrólise, agregando valor econômico e reduzindo desperdícios.
O GRAFA desempenha um papel fundamental na valorização e reutilização de resíduos agroindustriais, direcionando suas pesquisas para a transformação de subprodutos em bioinsumos com potencial de aplicação tecnológica com potencial antioxidante e antimicrobiano.
Referências:
MOTTA, Joyce Fagundes Gomes; FREITAS, Bárbara Catarina Bastos de; ALMEIDA, Alex Fernando de; MARTINS, Glêndara Aparecida de Souza; BORGES, Soraia Vilela. Use of enzymes in the food industry: a review. Food Science And Technology, [S.L.], v. 43, n. 1, p. 1-13, mar. 2023. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/fst.106222.
CONTI, Paola Naiara; TANARO, Lucas França; CHRISTOFARI, Luciana Fagundes; GARLET, Tanea Maria Bisognin; PINTO, Nelson Guilherme Machado; VELHO, João Pedro. BIOINSUMOS: uma alternativa viável. Revista Dcs, [S.L.], v. 23, n. 86, p. 3870, 26 jan. 2026. Editoriales Iberoamericanos. http://dx.doi.org/10.54899/dcs.v23i86.3870.