Geoprópolis (Batume) – Uma resina de alto valor funcional

Autor da publicação: Cristian Henrique de Lima Machado

 

As abelhas pertencentes ao gênero Melipona são conhecidas popularmente como abelhas sem ferrão ou abelhas nativas, tendo como principal diferença das abelhas Apis mellifera a presença do ferrão atrofiado. A meliponicultura é a atividade de criação de abelhas nativas e desempenha papel importante na polinização de cultivos na região Amazônica, como é o caso do açaí.

 Além de sua importância ecológica, a meliponicultura se destaca na geração de renda para a agricultura familiar, principalmente por meio da comercialização do mel. Outros produtos são produzidos por essa atividade, como o pólen e geoprópolis.

Algumas espécies de abelhas sem ferrão produzem a geoprópolis, material que contém em sua composição resinas vegetais coletadas pelas abelhas e que são misturadas com barro/terra ou argila. Esse material é utilizado na colmeia para a vedação de frestas, impedindo a entrada de invasores.

Fonte: O próprio autor, 2026.

A geoprópolis apresenta grande potencial biotecnológico que pode ser explorado por diversas indústrias como a cosmética, farmacêutica e alimentícia. Alguns estudos já identificaram a presença de compostos bioativos, como os compostos fenólicos e flavonoides. Essas substâncias destacam-se por suas propriedades funcionais, incluindo a atividade antioxidante, antimicrobiana e anti-inflamatória.

Apesar de seu grande potencial, a geoprópolis de abelhas nativas amazônicas ainda é pouco explorada, evidenciando a necessidade de desenvolvimento de estudos científicos acerca de suas propriedades e aplicações.

Em pesquisas desenvolvidas pelo GRAFA (Grupo de Análise de Funcionalidades de Alimentos) da Universidade Federal Rural da Amazônia, têm sido investigados processos de extração de compostos bioativos presentes na geoprópolis, assim como suas propriedades funcionais. Os estudos realizados visam contribuir para a valorização de produtos naturais da região Amazônica, especialmente de produtos da meliponicultura. Além de fornecer informações científicas quanto à composição química desse produto, essas pesquisas evidenciam o potencial de aplicação e comercialização de produtos à base de extratos de geoprópolis para as indústrias farmacêutica, cosmética e alimentícia.