Autora da publicação: Vanessa Almeida da Rocha
A palmeira de tucumã (Astrocaryum vulgare) se destaca como um dos elementos mais promissores para impulsionar a bioeconomia na Amazônia e o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis. O tucumã, comumente encontrado na região Norte, é uma espécie nativa que oferece mais do que seus usos na culinária, tornando-se uma fonte essencial para a criação de produtos de grande valor para os setores de alimentos, beleza e medicamentos.
O óleo extraído do tucumã destaca-se por sua elevada concentração de ácidos graxos insaturados, como o ácido oleico, além de ser um reservatório natural de compostos bioativos essenciais, incluindo o β-caroteno e polifenóis (Mendonça Morais et al., 2023; Santos et al., 2017). Essa matriz química singular confere ao fruto propriedades funcionais e nutricionais estratégicas, estabelecendo-o como um insumo de alto valor para a promoção da saúde.
Dentre os compostos bioativos de interesse no tucumã, os carotenoides possuem grande destaque. Essas moléculas são tetraterpenos que conferem aos tecidos vegetais colorações que variam entre o vermelho, o laranja e o amarelo. O tucumã, com sua característica cor alaranjada, é uma fonte excepcional de β-caroteno, o principal precursor do retinol (Vitamina A). O retinol é essencial na prevenção de doenças oculares e na manutenção da saúde visual.
A torta ou biomassa é o principal resíduo da extração do óleo de tucumã e apresenta propriedades bioativas interessantes devido à presença de fenólicos e flavonoides, podendo ser aplicada na indústria de alimentos e farmacêutica, já que estes compostos conferem à torta propriedades antimicrobianas, anticarcinogênicas, antioxidante e anti-inflamatórias (Mota et al., 2024). Resultados obtidos pelo Grupo de Análise de Funcionalidades de Alimentos (GRAFA) corroboram a literatura científica, uma vez que, na biomassa de tucumã analisada, foram identificados predominantemente fenólicos e flavonoides que conferiram ao material uma capacidade antioxidante comprovada em ensaios in vitro.

Fonte: A própria autora, 2026.
Tanto os compostos bioativos da biomassa quanto os do fruto apresentam potencial para utilização como antioxidantes naturais na indústria de alimentos. Contudo, para a viabilização desse uso, é fundamental investigar a estabilidade dessas moléculas frente a variáveis como temperatura e tempo de armazenamento. Nesse contexto, estratégias de microencapsulamento tornam-se essenciais para proteger essas substâncias e garantir sua integridade, assegurando a eficácia tecnológica dos antioxidantes naturais, especialmente quando aplicados em escala industrial.
O GRAFA direciona seus esforços para transformar as capacidades biológicas do tucumã em tecnologias práticas. Adotando uma perspectiva de economia circular, nossas pesquisas buscam viabilizar a transformação do que seria resíduo, a biomassa, em um insumo valioso, incentivando o uso completo do fruto e a durabilidade da cadeia de produção.

Foto: Izabel Drulla Brandão / Embrapa Amazônia Oriental
Referências:
Mendonça Morais, R., Roberta Pinheiro Pantoja, K., Gama Ortiz Menezes, E., Cristina Seabra Pires, F., Quaresma da Silva de Aguiar, I., Cristine Melo Aires, G., ... & Nunes de Carvalho Junior, R. (2023). Tucumã of Pará oil: chemical profile, biological activities, and methods of extraction. Peer Review, 5(17), 369–392.
Mota, M. F. dos S., Santos, R. R., Rocha, V. A. L., Braga, D. T., Gomez, J. G. C., Freitas, S. P., ... & Guimarães Freire, D. M. (2024). Extraction of Phenolic Compounds from Tucuma (Astrocaryum vulgare Mat.) Postprocessing Cake Mediated by Rhamnolipids: Evaluation of Its Antifungal Potential against Common Fruit Pathogens. ACS Food Science & Technology, 4(10), 2430–2438.
Santos, M. D. F. G. dos, Alves, R. E., Brito, E. S. de, Silva, S. D. M., & Silveira, M. R. S. da. (2017). QUALITY CHARACTERISTICS OF FRUITS AND OILS OF PALMS NATIVE TO THE BRAZILIAN AMAZON. Revista Brasileira de Fruticultura, 39(spe).